estrategia

Pinterest cortou 15% para investir em IA: o que isso revela sobre 2026

Alexandre Guimarães
priorização radical em IA generativa
Imagem de capa: Pinterest cortou 15% para investir em IA: o que isso revela sobre 2026
Pinterest cortou quase 15% para acelerar IA. Eu mostro o que isso significa e como aplicar “priorização radical” para gerar ROI com IA em 2026.

Priorização radical: o corte de 15% do Pinterest é um recado sobre IA (e não é sobre tecnologia)

Quando uma empresa como o Pinterest anuncia um corte de quase 15% do time para realocar recursos e acelerar IA, eu não leio isso como “notícia de layoffs”. Eu leio como mudança de prioridade estratégica.

E aqui entra o ponto do meu insight: IA não é mais uma área da empresa. IA virou prioridade de sobrevivência. O mercado parou de premiar “projeto bonito” e começou a cobrar resultado real: mais receita, menos custo, mais velocidade.

O que o Pinterest fez (e o que interessa de verdade)

Segundo reportagens que pude ver, o Pinterest comunicou um plano de reestruturação com:

corte de menos de 15% do quadro (algo perto de ~700 pessoas),

redução de espaço físico e reorganização interna,

e, principalmente, realocação para funções e produtos focados em IA.

Tradução direta: tirar energia do que não é core e colocar tudo no que vai sustentar produto e monetização daqui pra frente.

O erro que eu vejo nas empresas: “falar de IA” como se fosse suficiente

O problema é que muita empresa ainda está na fase do “uau” — testando ferramenta, fazendo piloto, rodando workshop — mas sem mexer no que realmente decide o jogo: processo, dados e governança.

E aí a conta chega.

Um dado que me chama atenção: pesquisa da S&P Global Market Intelligence apontou que a fatia de empresas que “abandonam a maioria” das iniciativas de IA subiu para 42% em 2025 (vs. 17% no ano anterior), e que em média 46% dos POCs são descartados antes da produção. Ou seja: não falta vontade. Falta estrutura.

Priorizar IA não é “comprar IA”. É redesenhar trabalho.

Eu gosto de uma provocação: se amanhã você desligar a IA da empresa, o que para? Se a resposta for “nada”, então IA ainda está no modo enfeite.

E aqui entra um ponto que casa com o movimento do Pinterest: priorização radical é decisão de portfólio e de operação. É dizer “não” pra 20 coisas pra fazer 3 muito bem — e fazer essas 3 virarem resultado.

A McKinsey, por exemplo, vem batendo na tecla de que quase todo mundo está investindo em IA, mas pouquíssimas empresas se consideram maduras (algo como 1%). O gargalo costuma ser liderança e escala — não a tecnologia em si.

Meu framework de “priorização radical” para IA (simples e prático)

Se eu tivesse que colocar isso num playbook de 1 semana pra diretoria, eu faria assim:

1) Escolha 3 fluxos de valor que pagam a conta

Nada de “IA para tudo”. Escolha 3 fluxos onde dá pra medir impacto rápido, por exemplo:

Aquisição (mídia, criativos, SEO, performance)

Conversão (recomendação, precificação, ofertas, carrinho)

Atendimento (triagem, autoatendimento, pós-venda)

2) Defina 2 métricas que mandam no jogo

Eu deixo simples:

Receita incremental (vendeu mais?)

Custo evitado (gastou menos?)

Sem isso, vira debate infinito.

3) Arrume os dados antes do glamour

Onde eu vejo mais projeto morrer:

cadastro duplicado / incompleto

produto e estoque inconsistentes

consentimento e LGPD ignorados

CRM e canais que não conversam

IA sem base de dados é igual loja sem estoque: tem vitrine, mas não tem venda.

4) Comece com casos que se pagam em até 90 dias

Exemplos que eu vejo funcionando muito:

copiloto para atendimento (reduz TMA e aumenta resolução)

copiloto para marketing (gera variações e aprende com performance)

análise automática de ruptura e reposição (varejo sofre aqui)

5) Só depois evolua para agentes (IA que executa)

Quando o básico está redondo, aí sim entram agentes conectando sistemas e executando tarefas ponta a ponta (com trilha de auditoria). Esse é o “modo executor” que está ganhando espaço no mercado.

E no varejo/omnichannel, onde isso vira dinheiro?

Vou trazer pro chão de loja e operação:

Previsão de ruptura em tempo real: menos “produto faltando” e menos venda perdida.

Personalização no PDV e no app: oferta certa, na hora certa, sem virar spam.

Retail Media mais inteligente: melhor segmentação e eficiência pra indústria e varejo.

Atendimento unificado (WhatsApp, site, loja, SAC): contexto de verdade, não “repete seu CPF”.

Aqui é onde a priorização radical faz sentido: IA aplicada onde dói e onde dá retorno.

Sua empresa está investindo em IA… ou só conversando sobre IA?

Se até plataforma consolidada está “cortando na carne” pra acelerar IA, o recado é simples: 2026 é ano de aterrissagem. Menos hype. Mais ROI.

Alexandre Guimarães

Especialista em Inteligência Artificial e Transformação Digital

Gostou do artigo?

Entre em contato para discutir como podemos ajudar sua empresa com Inteligência Artificial e Transformação Digital.