
Priorização radical: o corte de 15% do Pinterest é um recado sobre IA (e não é sobre tecnologia)
Quando uma empresa como o Pinterest anuncia um corte de quase 15% do time para realocar recursos e acelerar IA, eu não leio isso como “notícia de layoffs”. Eu leio como mudança de prioridade estratégica.
E aqui entra o ponto do meu insight: IA não é mais uma área da empresa. IA virou prioridade de sobrevivência. O mercado parou de premiar “projeto bonito” e começou a cobrar resultado real: mais receita, menos custo, mais velocidade.
O que o Pinterest fez (e o que interessa de verdade)
Segundo reportagens que pude ver, o Pinterest comunicou um plano de reestruturação com:
corte de menos de 15% do quadro (algo perto de ~700 pessoas),
redução de espaço físico e reorganização interna,
e, principalmente, realocação para funções e produtos focados em IA.
Tradução direta: tirar energia do que não é core e colocar tudo no que vai sustentar produto e monetização daqui pra frente.
O erro que eu vejo nas empresas: “falar de IA” como se fosse suficiente
O problema é que muita empresa ainda está na fase do “uau” — testando ferramenta, fazendo piloto, rodando workshop — mas sem mexer no que realmente decide o jogo: processo, dados e governança.
E aí a conta chega.
Um dado que me chama atenção: pesquisa da S&P Global Market Intelligence apontou que a fatia de empresas que “abandonam a maioria” das iniciativas de IA subiu para 42% em 2025 (vs. 17% no ano anterior), e que em média 46% dos POCs são descartados antes da produção. Ou seja: não falta vontade. Falta estrutura.
Priorizar IA não é “comprar IA”. É redesenhar trabalho.
Eu gosto de uma provocação: se amanhã você desligar a IA da empresa, o que para? Se a resposta for “nada”, então IA ainda está no modo enfeite.
E aqui entra um ponto que casa com o movimento do Pinterest: priorização radical é decisão de portfólio e de operação. É dizer “não” pra 20 coisas pra fazer 3 muito bem — e fazer essas 3 virarem resultado.
A McKinsey, por exemplo, vem batendo na tecla de que quase todo mundo está investindo em IA, mas pouquíssimas empresas se consideram maduras (algo como 1%). O gargalo costuma ser liderança e escala — não a tecnologia em si.
Meu framework de “priorização radical” para IA (simples e prático)
Se eu tivesse que colocar isso num playbook de 1 semana pra diretoria, eu faria assim:
1) Escolha 3 fluxos de valor que pagam a conta
Nada de “IA para tudo”. Escolha 3 fluxos onde dá pra medir impacto rápido, por exemplo:
Aquisição (mídia, criativos, SEO, performance)
Conversão (recomendação, precificação, ofertas, carrinho)
Atendimento (triagem, autoatendimento, pós-venda)
2) Defina 2 métricas que mandam no jogo
Eu deixo simples:
Receita incremental (vendeu mais?)
Custo evitado (gastou menos?)
Sem isso, vira debate infinito.
3) Arrume os dados antes do glamour
Onde eu vejo mais projeto morrer:
cadastro duplicado / incompleto
produto e estoque inconsistentes
consentimento e LGPD ignorados
CRM e canais que não conversam
IA sem base de dados é igual loja sem estoque: tem vitrine, mas não tem venda.
4) Comece com casos que se pagam em até 90 dias
Exemplos que eu vejo funcionando muito:
copiloto para atendimento (reduz TMA e aumenta resolução)
copiloto para marketing (gera variações e aprende com performance)
análise automática de ruptura e reposição (varejo sofre aqui)
5) Só depois evolua para agentes (IA que executa)
Quando o básico está redondo, aí sim entram agentes conectando sistemas e executando tarefas ponta a ponta (com trilha de auditoria). Esse é o “modo executor” que está ganhando espaço no mercado.
E no varejo/omnichannel, onde isso vira dinheiro?
Vou trazer pro chão de loja e operação:
Previsão de ruptura em tempo real: menos “produto faltando” e menos venda perdida.
Personalização no PDV e no app: oferta certa, na hora certa, sem virar spam.
Retail Media mais inteligente: melhor segmentação e eficiência pra indústria e varejo.
Atendimento unificado (WhatsApp, site, loja, SAC): contexto de verdade, não “repete seu CPF”.
Aqui é onde a priorização radical faz sentido: IA aplicada onde dói e onde dá retorno.
Sua empresa está investindo em IA… ou só conversando sobre IA?
Se até plataforma consolidada está “cortando na carne” pra acelerar IA, o recado é simples: 2026 é ano de aterrissagem. Menos hype. Mais ROI.
Alexandre Guimarães
Especialista em Inteligência Artificial e Transformação Digital
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