
O Gartner Oficializou: a Era dos Agentes No-Code Chegou e Sua Empresa Precisa Saber Disso
Quando uma instituição como o Gartner publica o primeiro quadrante de mercado para uma categoria, ela não está apenas mapeando o que existe. Ela está sinalizando que uma tendência cruzou a fronteira entre o hype e a realidade estrutural do mercado. E foi exatamente isso que aconteceu na semana passada, quando o Gartner lançou o Emerging Market Quadrant for No-Code Agent Builders (NCAB), com data oficial de 8 de junho de 2026.

Para mim, esse movimento confirma o que venho debatendo em palestras e imersões com lideranças de empresas dos mais diferentes setores: a era da Agentic Enterprise chegou, e o código deixou de ser o passaporte obrigatório para quem quer colocar agentes de IA para trabalhar dentro do negócio.
O Que São os No-Code Agent Builders?
O Gartner define o mercado de NCABs como produtos entregues via SaaS que oferecem um ambiente integrado de design e execução para construir, publicar e gerenciar agentes de IA sem a necessidade de escrever uma única linha de código. Na prática, isso significa que um gestor de operações, um analista comercial ou um coordenador de backoffice pode, literalmente, arrastar blocos em uma interface visual e montar um robô funcional que toma decisões, acessa sistemas e executa tarefas de forma autônoma.
Pense nisso: a barreira que sempre separou "quem tem time de TI" de "quem não tem" começa a cair.
Por Que a Boomi Foi Eleita Pioneira?
No relatório, a Boomi foi reconhecida como Pioneer no quadrante, e a escolha não é por acaso. A empresa saiu de uma posição de plataforma de integração e automação — o tipo de solução que conecta sistemas diferentes entre si — para se transformar em uma infraestrutura agêntica completa. Ela expandiu seu papel exatamente porque entendeu que o próximo passo da integração de dados não é apenas conectar sistemas: é colocar agentes inteligentes operando sobre esses dados, tomando decisões e resolvendo gargalos em tempo real.
Segundo o próprio Gartner, os fornecedores reconhecidos como Pioneer nesse quadrante já tinham se estabelecido nas empresas para cargas de trabalho de integração e automação, e agora estão mirando na automação agêntica. É a evolução natural de quem já estava dentro das operações corporativas.
O Que Muda para as Empresas?
Quando analiso esse movimento, vejo três impactos diretos que qualquer liderança executiva precisa colocar na agenda agora:
1. O backoffice vai ganhar um novo motor. As primeiras grandes aplicações dos NCABs estão acontecendo exatamente nos processos de bastidores das empresas: conciliação financeira, atualização de cadastros, gestão de exceções em pedidos, triagem de documentos, alimentação de ERPs. São tarefas que consomem horas de times inteiros toda semana e que agentes bem configurados conseguem resolver em minutos.
2. A vantagem competitiva vai migrar de quem tem mais desenvolvedores para quem tem melhores orquestradores. Já escrevi aqui sobre o perfil do Humano Orquestrador. O que o NCAB faz é democratizar ainda mais essa posição. A partir de agora, não é só o time técnico que pode construir agentes. Qualquer profissional com visão de processo e clareza sobre o problema pode desenhar uma solução agêntica. O diferencial competitivo deixa de ser o código e passa a ser a inteligência de negócio de quem está no comando da ferramenta.
3. A janela de adoção está aberta, mas não vai ficar assim para sempre. O mercado de agentes de IA atingiu US$ 7,84 bilhões em 2025 e a projeção é de alcançar US$ 52,62 bilhões até 2030. Empresas que começarem a experimentar e estruturar seus fluxos agênticos agora vão sair na frente. As que esperarem pela "hora certa" vão encontrar concorrentes já operando em outra velocidade.
A Armadilha Que Você Precisa Evitar
Seria ingênuo da minha parte não avisar sobre o risco que vejo nesse movimento. O fato de uma ferramenta ser no-code não significa que qualquer pessoa vai sair construindo agentes funcionais da noite para o dia. O que muda é a camada técnica, não a necessidade de pensamento estratégico.
A realidade na maioria das empresas é mais complicada do que parece. As equipes avaliam uma plataforma, a TI se envolve porque as integrações exigem trabalho técnico, as revisões de segurança adicionam semanas, e o primeiro protótipo funciona no ambiente de testes, mas não suporta o volume de produção, os casos extremos ou os requisitos de conformidade.
É exatamente aí que entra o trabalho que faço nas Imersões de IA com as empresas. Não basta entregar acesso a uma plataforma no-code. É preciso levantar os problemas reais do negócio, mapear os fluxos onde os agentes vão atuar, definir os dados que vão alimentar essas decisões e criar uma estrutura de governança para que a automação escale de forma saudável.
A Agentic Enterprise Não é Ficção Científica
Mais de 180 mil organizações já estão construindo a Agentic Enterprise com ferramentas que conectam estratégia à execução e entregam trabalho complexo em escala. O quadrante do Gartner é a formalização acadêmica de algo que já está acontecendo no chão das operações corporativas ao redor do mundo.
O que me impressiona é a velocidade com que o mercado está absorvendo essa mudança. Faz pouco tempo, falávamos de automação como algo reservado a grandes corporações com times de engenharia robustos. Hoje, o Gartner publica um quadrante inteiro dedicado a plataformas que permitem que um gestor sem background técnico construa seu próprio agente em uma tarde.
Isso não diminui a complexidade do problema. Só distribui o poder de resolvê-lo.
Se a sua empresa ainda está debatendo se vai adotar inteligência artificial, essa publicação do Gartner é o sinal mais claro que o mercado poderia emitir. A pergunta que fica não é mais "quando a IA vai chegar no nosso setor". A pergunta é: quem no seu time vai ser o primeiro a construir um agente que resolve um problema real do seu negócio?
Alexandre Guimarães
Especialista em Inteligência Artificial e Transformação Digital
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