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O Abismo do Otimismo na IA: por que 95% das empresas acreditam — e metade do time não

Alexandre Guimarães
Gestão de mudança com IA
Imagem de capa: O Abismo do Otimismo na IA: por que 95% das empresas acreditam — e metade do time não
Entenda o “Abismo do Otimismo” na IA e como fechar a lacuna entre líderes e equipes com gestão de mudança, upskilling e adoção real.

Gestão de mudança com IA: como fechar o “Abismo do Otimismo” entre empresas e colaboradores

Eu tenho visto um padrão se repetir em praticamente toda conversa com líderes: a empresa está animada com IA, mas o time está desconfiado. E agora isso ganhou número, escala e nome.

Um estudo global da Randstad (Workmonitor 2026) mostrou que 95% dos empregadores acreditam que o negócio está no caminho do crescimento em 2026, mas apenas 51% dos trabalhadores compartilham desse otimismo. Essa lacuna de confiança não é detalhe — ela coloca o crescimento em risco.

O que eu chamo de “Abismo do Otimismo” é isso: liderança olhando para eficiência e competitividade; colaboradores olhando para incerteza, carga de trabalho e substituição.

E aqui vem o ponto central: o gargalo para 2026 não é tecnologia — é gestão de mudança com IA.

O que está por trás do Abismo do Otimismo (3 lacunas que travam a adoção)

1) A lacuna de confiança: “vai dar certo… mas pra quem?”

Quase metade dos trabalhadores teme que a IA beneficie mais a empresa do que a pessoa. Isso é um gatilho direto para resistência (mesmo que silenciosa).

Na prática: quando o time sente “perda” (status, controle, previsibilidade), a implantação vira boicote passivo — atraso, baixa adesão, “não funciona aqui”, “não é prioridade”.

2) A lacuna de realidade: “isso não vai me impactar”

Um dado que me chamou atenção: 1 em cada 5 trabalhadores (21%) acredita que suas tarefas são “imunes” à IA, enquanto as empresas aceleram a automação de eficiência.

Essa desconexão cria dois riscos ao mesmo tempo:

gente com medo demais (paralisa),

gente despreparada demais (nega).

3) A lacuna de gestão: o papel do líder direto virou decisivo

A Randstad aponta queda na confiança em lideranças seniores e um movimento de “ancoragem” no gestor imediato — 72% dizem ter relação forte com seu manager e muitos buscam nele estabilidade em tempos incertos.

Ou seja: IA não se implementa só com ferramenta. Implementa-se com liderança no dia a dia.

O paradoxo da Geração Z: mais uso, mais medo

A Geração Z aparece como a mais preocupada com impacto da IA nos empregos, mesmo sendo uma das que mais usa tecnologia no cotidiano.

Eu interpreto assim: não é falta de familiaridade com tech. É falta de previsibilidade de carreira. E isso conversa com outra tendência do estudo: a carreira linear está perdendo força e “portfolio careers” (múltiplas frentes, papéis e rendas) ganham espaço.

Se a empresa não oferece trilha, a pessoa cria a própria — ou vai embora.

A explosão dos “AI Agents” e o que isso diz sobre o trabalho

Enquanto parte dos times teme a automação, o mercado está sinalizando forte demanda por novas competências.

Vagas pedindo skills de “AI Agent” cresceram +1.587% ao longo de 2025

“AI Trainers” subiram +247%

E prompt virou “skill universal”: demanda +403%

O recado é claro: o jogo está mudando de “cargo” para “tarefa”. IA tende a automatizar tarefas de baixa complexidade e aumentar produtividade em tarefas mais analíticas/relacionais — desde que a pessoa saiba trabalhar junto da tecnologia.

O risco real: quando o time tem medo, ele não adota (e às vezes nem percebe)

Eu sempre digo: IA não falha só por tecnologia. Falha por comportamento.

Quando o time sente ameaça, ele tende a:

evitar usar (e usar escondido, sem padrão),

“testar” para provar que dá errado,

não alimentar dados, não documentar, não colaborar,

reclamar de aumento de cobrança (porque a IA “agora dá pra fazer mais”).

E o projeto morre por inanição.

Meu framework em 6 passos para fechar o Abismo do Otimismo

1) Diagnóstico de prontidão (antes da ferramenta)

Eu começo medindo: confiança, medo, clareza de impacto, tempo disponível para aprender e maturidade de processos. Sem isso, o piloto vira loteria.

2) Narrativa honesta: “o que muda, o que não muda, e o que eu ganho”

O time precisa de um combinado objetivo:

quais tarefas serão assistidas/automatizadas,

quais novas responsabilidades surgem,

qual trilha de evolução e reconhecimento existe.

Sem “marketing interno” vazio. Transparência reduz ruído.

3) Upskilling com foco em trabalho real (não em teoria)

O estudo mostra que 65% reconhecem que precisam se qualificar e muitos já estão correndo atrás por conta própria.

Aqui eu vejo uma chance enorme: trazer isso pra dentro com trilhas práticas:

fundamentos de IA + segurança + ética

prompt aplicado à função

uso de agentes por processo (não por hype)

revisão de qualidade (“human-in-the-loop”)

4) Redesenho de processo: “onde a IA entra” no Omnichannel e no Varejo

Exemplos que eu aplico muito:

Atendimento: IA para triagem + resumo + proposta de resposta; humano no tom e decisão

Comercial: IA para pesquisa, proposta e follow-up; humano na negociação

Operações: IA para alertas e priorização; humano na execução e exceção

Quando fica tangível, o medo cai.

5) Pilotos com métricas de adoção (não só de eficiência)

Eu meço três camadas:

Adoção: % de uso ativo, frequência, quem usa e quem evita

Qualidade: erros, retrabalho, satisfação do cliente

Resultado: tempo economizado, throughput, conversão, NPS/CSAT

Sem métrica de adoção, você só “acha” que implantou.

6) Ritual e liderança: manager como habilitador (não fiscal)

Se o líder vira polícia (“agora você tem IA, entrega o dobro”), a resistência volta. Se ele vira coach (“vamos aprender junto e redesenhar seu dia”), a adoção acelera.

Perguntas que eu mais ouço (e como respondo)

“IA vai tirar empregos?” Na maioria dos casos, ela começa tirando tarefas. O risco maior é ficar parado enquanto o trabalho muda.

“Por que a equipe está tão resistente?” Porque percebe assimetria: mais ganho pra empresa do que pra pessoa. Isso precisa ser tratado com trilha, clareza e reconhecimento.

“Qual o primeiro passo?” Diagnóstico + piloto pequeno, com governança e treinamento aplicado ao processo.

“AI Agent é só modinha?” A demanda de mercado mostra o contrário: o crescimento em vagas relacionadas é brutal.

Se você está em 2026 com meta de eficiência e crescimento, eu não começaria comprando mais ferramenta. Eu começaria fechando a lacuna entre liderança e time, nisso eu posso te ajudar com um Workshop de IA exclusivo para sua empresa, o momento de colocar todo mundo na mesma pauta e sem "tecniquês".

Veja AQUI como posso te ajudar.

Alexandre Guimarães

Especialista em Inteligência Artificial e Transformação Digital

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