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Nano Banana 2.1: O Google Cortou o Preço da Imagem pela Metade e Marcou o Fim do Modelo Anterior para 29 de Outubro

Alexandre Guimarães
Nano Banana 2.1
Google Gemini
geração de imagens com IA
ciclo de vida de modelos
transformação digital
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O Google lançou o Nano Banana 2.1 com imagem pela metade do preço e avisou que o modelo anterior será desligado em 29 de outubro. Entenda os números, os limites e o que fazer.

Ontem, 6 de outubro de 2026, o Google colocou o Nano Banana 2.1 em disponibilidade geral, sem passar por fase de preview. Dois detalhes desse anúncio merecem mais atenção do que os rankings de qualidade. O preço da imagem caiu pela metade. E, no mesmo dia, o Google avisou que o modelo anterior será desligado em 29 de outubro, com apenas 23 dias de aviso.

Já escrevi aqui sobre o Nano Banana na comparação com o ChatGPT Imagens. Naquela época a discussão era qual gerador entregava a imagem mais bonita. Em outubro de 2026 a pergunta mudou: qual gerador cabe no processo da sua empresa, com que custo e por quanto tempo ele vai existir.

O Que Chegou

O Nano Banana 2.1 é construído sobre o Gemini 3.6 Flash, segundo a model card publicada pelo Google DeepMind. Aceita texto e imagens como entrada, com janela de contexto de até 1 milhão de tokens, e devolve imagem e texto. Para edição, aceita até 14 imagens de referência em uma única requisição, o que importa para quem trabalha com catálogo de produtos e identidade visual.

A model card lista como canais de distribuição o app Gemini, o modo IA da Busca do Google, o Google AI Studio, a API do Gemini, o Google Ads, o Flow e o Stitch. A liberação é gradual, então o recurso pode ainda não aparecer para todo mundo no mesmo dia.

Os Números do Google, Com a Ressalva Necessária

Nas avaliações humanas lado a lado que o Google publicou, o Nano Banana 2.1 com modo de raciocínio marcou 1050 em preferência geral, contra 990 do Nano Banana 2 e 935 do Nano Banana Pro. Em design de infográficos, foram 1048 contra 961 e 912. Nas métricas de edição, o salto mais expressivo apareceu em consistência de múltiplos personagens, 1106 contra 978 do Nano Banana 2 e 1011 do Pro, e em edição com máscara ou rabisco, 1049 contra 965 e 927.

O dado que mais me chamou atenção está em factualidade de infográficos. A pontuação foi 0,521, contra 0,179 do Nano Banana 2 e 0,265 do Pro, segundo o avaliador automático do próprio Google. Sem o modo de raciocínio, o resultado cai para 0,328. A leitura prática é que o raciocínio faz diferença real quando a imagem carrega informação, não só estética. Mas são testes do próprio Google, e até onde encontrei ainda não existe avaliação independente consolidada.

Imagem Mais Barata, Entrada Mais Cara

No preço, a história tem duas pontas. A imagem em 1K custa US$ 0,0336 na API, contra US$ 0,067 do Nano Banana 2, e a de 2K sai por US$ 0,0504, contra US$ 0,101. É praticamente metade. O preço do token de saída de imagem caiu de US$ 60 para US$ 30 por milhão.

A outra ponta é que a entrada ficou três vezes mais cara, de US$ 0,50 para US$ 1,50 por milhão de tokens, e o texto e raciocínio de saída subiu de US$ 3 para US$ 7,50. A API também não tem camada gratuita para esse modelo. Para quem gera muita imagem a partir de prompts curtos, a conta melhora. Para quem envia muitas imagens de referência e contextos longos, vale simular antes de assumir que vai economizar.

O Prazo Que Quase Ninguém Está Olhando

O detalhe que mais interessa a quem tem sistema em produção está nas notas de versão da API. O modelo gemini-3.1-flash-image, que é o Nano Banana 2, foi marcado como descontinuado e será desligado em 29 de outubro de 2026. O Google orienta migrar para o gemini-nano-banana-2.1. Esse modelo foi lançado em 28 de maio. Serão cerca de cinco meses de vida, com 23 dias de aviso.

Isso conecta com algo que repito nas consultorias desde a onda de agosto: nenhuma integração de IA deveria ficar amarrada a uma versão específica de modelo sem um plano de troca. Quando o ciclo de vida de um modelo é de cinco meses, migração deixa de ser projeto excepcional e vira rotina operacional. Se a sua agência, o seu time de e-commerce ou o seu fornecedor de software gera imagens por API chamando o Nano Banana 2 pelo nome, existe um prazo correndo agora, e a pergunta é quem na sua empresa sabe disso.

O Que o Próprio Google Admite Que Ainda Falha

A model card tem uma seção de limitações que vale ler antes de qualquer decisão de compra. O Google reconhece texto pequeno borrado no modelo de 1K, dificuldade com parágrafos longos, consistência de personagem que nem sempre é perfeita entre a imagem de entrada e a de saída, instrução seguida só em parte na edição com máscara, confusão ocasional entre esquerda e direita, e limitações em conhecimento de mundo, raciocínio 3D e factualidade. O conhecimento do modelo vai até março de 2026.

Traduzindo para o dia a dia: use o modelo para acelerar criação e variação, mas não publique infográfico com dado, tabela ou texto longo sem revisão humana. A melhora em factualidade é real no benchmark do Google, mas uma pontuação de 0,521 não é sinônimo de pode publicar sem olhar.

Proveniência: A Marca Que Você Não Vê

O guia de geração de imagens do Google informa que as imagens geradas carregam a marca SynthID. É o mesmo movimento que descrevi quando a Anthropic ativou a marca d'água invisível nos textos do Claude por causa do EU AI Act. A rastreabilidade de conteúdo gerado por IA está virando padrão de mercado, e isso vale para a imagem do anúncio, para a foto de produto e para o banner da campanha. Se a sua empresa publica conteúdo visual gerado por IA, ele pode ser identificado como tal por quem tiver a ferramenta de detecção, e vale ter uma política clara sobre o que declarar.

O Que Fazer Nesta Semana

Recomendo três movimentos. O primeiro é levantar onde a sua empresa usa geração de imagem por API e qual modelo está configurado em cada ponto, porque o prazo de 29 de outubro vale para quem ainda aponta para o Nano Banana 2. O segundo é rodar um teste comparativo com o seu próprio material, produto, embalagem e peça de campanha, em vez de confiar em ranking, principalmente nos casos de consistência de produto e de texto dentro da imagem. O terceiro é definir a regra de revisão humana para qualquer imagem que carregue informação, preço, dado ou texto longo.

A pergunta que fica para qualquer liderança de marketing ou tecnologia é direta: se um modelo de imagem que você usa hoje for desligado em 23 dias, a sua empresa sabe onde ele está configurado, quem responde por trocá-lo e como vai validar que a imagem nova mantém o padrão da sua marca?

Alexandre Guimarães

Especialista em Inteligência Artificial e Transformação Digital

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