
ILIA 2025: quem lidera a IA na América Latina — e como eu leio esse ranking para antecipar 2026
Quando eu olho para ranking de IA, eu não procuro “o 1º lugar” — eu procuro o motor que está puxando cada país: infraestrutura, talento, adoção, pesquisa e (principalmente) governança com execução. O Índice Latinoamericano de Inteligencia Artificial (ILIA) 2025 é bom exatamente por isso: ele mede o ecossistema, não só hype.
Como o ILIA 2025 funciona (e o erro clássico de interpretação)
O ILIA avalia 19 países e organiza tudo em 3 dimensões:
Fatores Habilitantes (infraestrutura, dados e talento)
Pesquisa, Desenvolvimento e Adoção (I+D+A)
Governança
O detalhe que muda a leitura estratégica é o peso de cada dimensão no índice:
Fatores Habilitantes = 40% do total
I+D+A = 35% do total
Governança = 25% do total
E tem um aviso importante: os resultados de 2025 não são perfeitamente comparáveis com a edição anterior, porque houve ajustes de subindicadores, fontes e normalização. Traduzindo: cuidado com “subiu/baixou” sem entender a metodologia.
Ranking ILIA 2025 (pontuação total) — quem está liderando
O índice também agrupa países por maturidade:
Pioneiros: acima de 60 pontos
Adotantes: entre 35 e 60
Exploradores: abaixo de 35
Top 10 do ILIA 2025 (pontuação total):
Chile — 70,56
Brasil — 67,39
Uruguai — 62,32
Colômbia — 55,84
Costa Rica — 53,83
Argentina — 52,98
Peru — 51,93
México — 47,03
Rep. Dominicana — 44,96
Equador — 40,68
E na parte de baixo, com ecossistemas ainda iniciais (exploradores), aparecem El Salvador (32,04), Jamaica (31,61), Paraguai (31,20), Cuba (28,69), Guatemala (28,44), Honduras (27,39), Bolívia (26,06) e Venezuela (24,65).
Leitura estratégica: o que a imagem (governança x I+D+A) deixa cristalino

No gráfico acima(Latinometrics), eu vejo um mapa simples de poder:
1) Liderança “completa” é rara (Chile é o caso mais nítido)
Chile aparece no quadrante de alta governança + alta I+D+A, ou seja: pesquisa/adopção andando junto com política pública e coordenação. Isso tende a sustentar liderança, porque reduz atrito na escala.
2) Brasil é potência de base: compute e escala, mas precisa converter em difusão setorial
O ILIA destaca que o Brasil concentra mais de 90% da capacidade de computação da região — isso é uma vantagem estrutural para treinamento, pesquisa e indústria. Na prática, o jogo do Brasil é transformar essa “infra de poucos” em produtividade de muitos (cadeia, educação aplicada, setor público e varejo).
3) Uruguai e Colômbia: países “táticos” que podem surpreender
Uruguai tende a performar muito bem em habilitantes per capita e organização institucional; e a Colômbia aparece bem posicionada para acelerar quando talento e adoção destravam gargalos.
4) O calcanhar de Aquiles regional: governança sem execução
O próprio ILIA é direto: há países com estratégia nacional de IA, mas sem orçamento, plano de implementação e indicadores, e isso vira “declaração bonita” sem tração real. Para 2026, eu leio isso como: vai subir no ranking quem institucionalizar execução (governança + funding + metas).
O que pode acontecer em 2026 (minha previsão, olhando sinais de 2025)
Aqui eu trabalho com cenários — não é chute, é leitura de tendência a partir de vetores que já estão em movimento:
Cenário 1 — “Infra + Plano = salto” (mais provável)
Países que já têm estratégia e entram em fase de entrega tendem a ganhar pontos rápido.
Brasil: com o PBIA 2024–2028 (Plano Brasileiro de Inteligência Artificial) em marcha, a tendência é fortalecer coordenação e investimento (se a execução acelerar).
Uruguai: a Estratégia Nacional de IA 2024–2030 dá base para consistência e continuidade.
Costa Rica: com ENIA 2024–2027 (Estratégia Nacional de IA) e plano de ação atualizado, pode ganhar densidade em governança e adoção.
Cenário 2 — “Open source puxa adoção” (impacto alto, custo menor)
O ILIA trata código aberto como uma oportunidade regional real: desenvolvimento de apps e colaboração são vias mais “democráticas” do que competir em supercomputação. E isso ganha força com iniciativas como modelos abertos regionais (ex.: Latam-GPT, liderado pelo CENIA no Chile, com colaboração internacional).
Cenário 3 — “GenAI vira atalho de produtividade”
O ILIA aponta países com destaque em adoção de IA generativa (Chile, Costa Rica, Peru, Uruguai, Panamá e Rep. Dominicana). Para 2026, eu apostaria que o ranking vai premiar quem transformar GenAI em processo, não em piloto: atendimento, supply, prevenção de perdas, pricing, conteúdo, RH e jurídico.
Alexandre Guimarães
Especialista em Inteligência Artificial e Transformação Digital
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