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ILIA 2025: o ranking definitivo da IA na América Latina (e o que muda em 2026)

Alexandre Guimarães
Ranking ILIA 2025
Imagem de capa: ILIA 2025: o ranking definitivo da IA na América Latina (e o que muda em 2026)
Ranking ILIA 2025 da IA na América Latina: líderes, leitura estratégica por dimensão e o que pode mudar em 2026 com governança, dados, talento e infraestrutura.

ILIA 2025: quem lidera a IA na América Latina — e como eu leio esse ranking para antecipar 2026

Quando eu olho para ranking de IA, eu não procuro “o 1º lugar” — eu procuro o motor que está puxando cada país: infraestrutura, talento, adoção, pesquisa e (principalmente) governança com execução. O Índice Latinoamericano de Inteligencia Artificial (ILIA) 2025 é bom exatamente por isso: ele mede o ecossistema, não só hype.

Como o ILIA 2025 funciona (e o erro clássico de interpretação)

O ILIA avalia 19 países e organiza tudo em 3 dimensões:

Fatores Habilitantes (infraestrutura, dados e talento)

Pesquisa, Desenvolvimento e Adoção (I+D+A)

Governança

O detalhe que muda a leitura estratégica é o peso de cada dimensão no índice:

Fatores Habilitantes = 40% do total

I+D+A = 35% do total

Governança = 25% do total

E tem um aviso importante: os resultados de 2025 não são perfeitamente comparáveis com a edição anterior, porque houve ajustes de subindicadores, fontes e normalização. Traduzindo: cuidado com “subiu/baixou” sem entender a metodologia.

Ranking ILIA 2025 (pontuação total) — quem está liderando

O índice também agrupa países por maturidade:

Pioneiros: acima de 60 pontos

Adotantes: entre 35 e 60

Exploradores: abaixo de 35

Top 10 do ILIA 2025 (pontuação total):

Chile — 70,56

Brasil — 67,39

Uruguai — 62,32

Colômbia — 55,84

Costa Rica — 53,83

Argentina — 52,98

Peru — 51,93

México — 47,03

Rep. Dominicana — 44,96

Equador — 40,68

E na parte de baixo, com ecossistemas ainda iniciais (exploradores), aparecem El Salvador (32,04), Jamaica (31,61), Paraguai (31,20), Cuba (28,69), Guatemala (28,44), Honduras (27,39), Bolívia (26,06) e Venezuela (24,65).

Leitura estratégica: o que a imagem (governança x I+D+A) deixa cristalino

Quais países estão liderando a IA na América Latina

No gráfico acima(Latinometrics), eu vejo um mapa simples de poder:

1) Liderança “completa” é rara (Chile é o caso mais nítido)

Chile aparece no quadrante de alta governança + alta I+D+A, ou seja: pesquisa/adopção andando junto com política pública e coordenação. Isso tende a sustentar liderança, porque reduz atrito na escala.

2) Brasil é potência de base: compute e escala, mas precisa converter em difusão setorial

O ILIA destaca que o Brasil concentra mais de 90% da capacidade de computação da região — isso é uma vantagem estrutural para treinamento, pesquisa e indústria. Na prática, o jogo do Brasil é transformar essa “infra de poucos” em produtividade de muitos (cadeia, educação aplicada, setor público e varejo).

3) Uruguai e Colômbia: países “táticos” que podem surpreender

Uruguai tende a performar muito bem em habilitantes per capita e organização institucional; e a Colômbia aparece bem posicionada para acelerar quando talento e adoção destravam gargalos.

4) O calcanhar de Aquiles regional: governança sem execução

O próprio ILIA é direto: há países com estratégia nacional de IA, mas sem orçamento, plano de implementação e indicadores, e isso vira “declaração bonita” sem tração real. Para 2026, eu leio isso como: vai subir no ranking quem institucionalizar execução (governança + funding + metas).

O que pode acontecer em 2026 (minha previsão, olhando sinais de 2025)

Aqui eu trabalho com cenários — não é chute, é leitura de tendência a partir de vetores que já estão em movimento:

Cenário 1 — “Infra + Plano = salto” (mais provável)

Países que já têm estratégia e entram em fase de entrega tendem a ganhar pontos rápido.

Brasil: com o PBIA 2024–2028 (Plano Brasileiro de Inteligência Artificial) em marcha, a tendência é fortalecer coordenação e investimento (se a execução acelerar).

Uruguai: a Estratégia Nacional de IA 2024–2030 dá base para consistência e continuidade.

Costa Rica: com ENIA 2024–2027 (Estratégia Nacional de IA) e plano de ação atualizado, pode ganhar densidade em governança e adoção.

Cenário 2 — “Open source puxa adoção” (impacto alto, custo menor)

O ILIA trata código aberto como uma oportunidade regional real: desenvolvimento de apps e colaboração são vias mais “democráticas” do que competir em supercomputação. E isso ganha força com iniciativas como modelos abertos regionais (ex.: Latam-GPT, liderado pelo CENIA no Chile, com colaboração internacional).

Cenário 3 — “GenAI vira atalho de produtividade”

O ILIA aponta países com destaque em adoção de IA generativa (Chile, Costa Rica, Peru, Uruguai, Panamá e Rep. Dominicana). Para 2026, eu apostaria que o ranking vai premiar quem transformar GenAI em processo, não em piloto: atendimento, supply, prevenção de perdas, pricing, conteúdo, RH e jurídico.

Alexandre Guimarães

Especialista em Inteligência Artificial e Transformação Digital

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