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De “me diga” para “faça por mim”: a era da IA Executora começou com Alexa+ e Personal Intelligence

Alexandre Guimarães
IA Executora
Imagem de capa: De “me diga” para “faça por mim”: a era da IA Executora começou com Alexa+ e Personal Intelligence
Alexa+ e o Personal Intelligence do Google aceleram a IA Executora: menos “me diga”, mais “faça por mim”. Entenda impactos em negócios e varejo.

Eu tenho observado um padrão bem claro: a briga da IA mudou de fase.

A gente passou por:

2024: quem responde melhor

2025: quem pesquisa melhor

Agora: quem FAZ mais

E quando eu falo “faz”, não é figure of speech. É execução mesmo: reservar, comprar, agendar, organizar, disparar, cruzar informação… resolver.

É aqui que nasce o que eu chamo de IA Executora: não é só uma IA que conversa. É uma IA que entende contexto, conecta sistemas e transforma intenção em ação.

Alexa+ é a IA que sai do “assistente” e vira “agente”

A Amazon foi direta ao ponto ao anunciar a Alexa+: a proposta é uma Alexa mais conversacional, mais contextual e muito mais capaz de realizar tarefas de ponta a ponta.

O que me chama atenção aqui é a vantagem competitiva que não dá pra copiar rápido: distribuição + contexto.

A própria Amazon diz que existem mais de 600 milhões de dispositivos Alexa em uso no mundo. E, além disso, a Alexa já nasceu dentro da rotina: casa conectada, hábitos, preferências e integrações com serviços do dia a dia (reservas, tickets etc.).

Ou seja: enquanto muita IA ainda está presa no “me pergunta que eu respondo”, a Alexa+ entra forte no “me pede que eu resolvo”.

E isso tem um impacto gigante no varejo.

Porque a jornada muda de: pesquisa → comparação → carrinho → checkout para: intenção → sugestão → confirmação → execução

A pergunta que eu faço para qualquer marca é simples: sua empresa está preparada para vender para um consumidor… ou para o agente do consumidor?

Personal Intelligence do Google: a IA mais “invasiva”… e talvez a mais útil

Do outro lado, o Google fez um movimento tão poderoso quanto delicado: lançou o Personal Intelligence no Gemini.

A lógica é “simples” (e assustadora pra alguns): conectar o Gemini com seu ecossistema — Gmail, Google Photos, YouTube e Search — para responder com um nível de contexto que nenhuma IA generalista consegue alcançar.

O exemplo que circulou e é muito forte: você está numa loja de pneus, pergunta o tamanho do pneu do seu carro, e a IA não só encontra… como cruza informação e recomenda algo coerente com seu perfil e uso.

Por que isso importa? Porque o Google tem um ativo que muda o jogo: memória digital em escala.

Alguns números ajudam a entender:

O Google Photos já passou de 4 trilhões de fotos armazenadas (dado do próprio Google).

O Gmail é frequentemente estimado em 1,8 bilhão de usuários.

Em participação global de busca, o Google gira em torno de ~90% (com variações por período), segundo Statcounter/leituras de mercado.

O efeito prático disso é: enquanto outras IAs sabem o que você conta, o Google consegue entender muito do que você faz (com permissão).

O ponto central: contexto virou o novo “combustível”

Se eu tivesse que resumir a disputa atual em uma frase, seria:

Modelos vão se parecer cada vez mais. Contexto e execução vão separar os vencedores.

A Amazon tem contexto de rotina e consumo, e uma base massiva de dispositivos.

O Google tem contexto de vida digital (e-mail, fotos, buscas, vídeos).

E é por isso que eu bato nessa tecla: a gente saiu da era dos “chatbots” e entrou na era dos agentes.

O que isso destrava para negócios (e onde mora o dinheiro)

Quando eu olho para Personal Intelligence e Alexa+, eu enxergo duas frentes:

1) Personalização de verdade (não “segmentação genérica”) Recomendação baseada em hábitos, histórico e intenção real.

2) Produtividade aplicada ao contexto Analisar padrões de reclamação, sugerir propostas comerciais com base em histórico, acelerar pesquisa interna, organizar rotinas e decisões.

E tem um dado que reforça o “porquê agora”: uma pesquisa da Salesforce apontou que 91% das PMEs com uso de IA dizem que isso aumenta receita.

No Brasil, isso tende a chegar forte, porque o país já aparece entre os principais mercados de uso do Gemini em recortes de tráfego. E, segundo um levantamento de adoção por país, 52,9% dos brasileiros usam Gmail.

Só que tem um “porém”: IA poderosa exige responsabilidade

Aqui está, na minha visão, o maior gargalo da IA Executora: confiança.

Para esse modelo funcionar, eu preciso deixar a IA:

acessar contexto,

conectar fontes,

e, em alguns casos, agir.

O próprio Google reforça que o Personal Intelligence é opt-in, dá controle do que conectar, e traz salvaguardas (inclusive evitando suposições proativas em temas sensíveis). Ao mesmo tempo, há alertas importantes: personalização pode errar contexto, e existe risco óbvio de segurança quando muita coisa fica agregada numa mesma conta.

Esse é o jogo: quem resolver confiança + controle + segurança primeiro, domina a próxima década.

Como eu prepararia uma empresa para a era dos agentes

Se eu fosse começar amanhã com um plano “agent-ready”, eu atacaria 5 pontos:

Dados estruturados de catálogo e políticas (produto, atributos, troca, prazos)

Integrações e APIs (estoque, preço, entrega, atendimento)

Identidade e antifraude (porque agente executando aumenta risco)

Observabilidade (auditar: por que recomendou? o que executou?)

Treinar o negócio para novos canais: o canal agora é o agente.

E eu fecho com a provocação que eu mais gosto nesse tema:

Se a IA do consumidor compra, agenda e resolve… sua marca está pronta para ser escolhida por uma IA?

Alexandre Guimarães

Especialista em Inteligência Artificial e Transformação Digital

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