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80% das Empresas Pagam por IA e Não Sabem Usar: O Estudo do Adecco Que Expõe a Lacuna de 2026

Alexandre Guimarães
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Imagem de capa: 80% das Empresas Pagam por IA e Não Sabem Usar: O Estudo do Adecco Que Expõe a Lacuna de 2026
Apenas 18% das empresas americanas e 20% das europeias usam IA em escala. O estudo do Adecco publicado hoje revela o gargalo real e a solução para 2026.

Esta manhã, 23 de julho de 2026, o Adecco Group publicou um dos relatórios mais reveladores do ano sobre o estado real da inteligência artificial nas empresas. Não é mais um estudo sobre intenção ou expectativa. É um diagnóstico brutal sobre execução e o número que abre o relatório deveria estar na pauta de toda reunião de diretoria dessa semana.

Apenas 18% das empresas norte-americanas e 20% das europeias conseguiram integrar a inteligência artificial aos seus fluxos de trabalho centrais de forma escalável.

Leia de novo. Oito em cada dez empresas que já investiram em ferramentas de IA ainda não conseguiram colocar esse investimento para funcionar de verdade na operação do dia a dia.

O Que o Relatório Diz Sobre o Mercado

O whitepaper publicado hoje pelo Adecco Group em parceria com a Altermind se chama On the threshold: AI, the future of work and the rise of hybrid labor markets. O título já diz muito: estamos no limiar. A IA chegou, mas a maioria das empresas ainda não cruzou a porta.

A IA está mudando tarefas mais rápido do que eliminando empregos, mas o ajuste é desigual por setor, por função e por maturidade organizacional. Entre 2022 e 2025, 1,9 milhão de novos empregos relacionados à IA foram criados.

Esse dado desfaz um dos maiores medos que acompanho nas lideranças com quem trabalho: a ideia de que a IA vai simplesmente eliminar empregos em massa e deixar as empresas sem pessoas. O que os dados mostram é diferente. A IA está mudando o que as pessoas fazem, não necessariamente eliminando quem faz. E é exatamente nessa mudança que mora o gargalo.

Um estudo anterior do Adecco com 2.000 executivos C-suite em 13 países revelou que 45% dos líderes de negócio esperam que agentes de IA estejam integrados aos fluxos de trabalho dentro de um ano. Mas apenas 30% dos trabalhadores acreditam que isso vai acontecer no mesmo ritmo.

Existe uma desconexão profunda entre o que a liderança planeja e o que a base organizacional acredita que vai acontecer. E desconexão entre intenção estratégica e realidade operacional é a receita exata para projetos de transformação que ficam bonitos no PowerPoint e não saem do papel.

A Nova Disciplina Que o Relatório Crava

O ponto mais importante do whitepaper de hoje é o surgimento formal de uma nova disciplina de gestão que o Adecco batizou de Hybrid Workforce Orchestration, ou Orquestração Híbrida de Trabalho.

A orquestração híbrida de trabalho emerge como a nova disciplina de gestão para a era da inteligência. Não se trata mais de comprar ferramentas, mas de dominar a habilidade gerencial de desenhar rotinas onde humanos e agentes de IA dividem a carga de trabalho sem atrito de processos.

Esse conceito não é novo para quem me acompanha. Venho falando sobre o Humano Orquestrador nas minhas palestras e consultorias há meses. O que muda agora é que o Adecco Group, com presença em mais de 60 países e dados de mais de 8,6 milhões de trabalhadores, está validando formalmente essa tese com dados globais.

O maior desafio de 2026 não é tecnológico. É gerencial. Não é encontrar a ferramenta certa. É saber como redesenhar processos para que humanos e agentes trabalhem juntos sem que um atrapalhe o outro.

O Gargalo Real Que Ninguém Quer Admitir

Apenas 22% dos líderes estão altamente confiantes de que suas organizações estão desenvolvendo capacidades preparadas para o futuro dentro da força de trabalho. Apenas 36% dos líderes dizem que sua estratégia de talentos demonstra claramente que a IA vai criar oportunidades para os trabalhadores, e apenas 39% estão envolvendo os funcionários diretamente no redesenho das funções.

Esses três números juntos descrevem com precisão o padrão que vejo repetido nas empresas com as quais trabalho: lideranças que apostaram na tecnologia sem investir na capacitação das pessoas e sem envolver as equipes no redesenho dos processos. O resultado previsível é uma ferramenta de IA instalada que ninguém usa de forma consistente, um time que não confia na tecnologia e uma diretoria frustrada com o retorno sobre o investimento.

O CEO do Adecco Group, Denis Machuel, foi cirúrgico ao descrever o problema central: a IA pode se mover na velocidade do software, mas a confiança organizacional se move na velocidade humana. Empresas que ignoram essa lacuna vão lutar para transformar pilotos em performance.

O Que Separa as Empresas Que Conseguem das Que Não Conseguem

O relatório identifica um grupo que chama de organizações prontas para o futuro. Entre elas, 49% reportaram abordagens maduras para medir a confiança da força de trabalho, comparado com apenas 18% entre as demais empresas.

Confiança não é um tema de RH. É um ativo operacional. Empresas onde os times confiam na liderança e confiam nas ferramentas adotam mudanças mais rápido, experimentam com menos resistência e conseguem escalar o que funciona com muito menos atrito.

Enquanto 70% dos trabalhadores dizem que se sentem prontos para colaborar com agentes de IA, apenas 39% dos líderes acreditam que os funcionários estão confortáveis para fazer isso. Os dados mostram o contrário do que se imagina: as pessoas estão mais prontas do que a liderança supõe. O obstáculo está no topo, não na base.

O Oceano Azul que Poucas Empresas Estão Enxergando

Quando olho para o número central do relatório de hoje, 80% das empresas sem IA integrada em escala, não vejo um problema. Vejo uma oportunidade gigantesca que pouquíssimas empresas no Brasil estão posicionadas para capturar.

Existem nesse mercado três perfis de empresa que acompanho de perto. O primeiro comprou assinatura de IA, fez um workshop e voltou para a rotina de sempre. A ferramenta está instalada, mas não está integrada. Os processos são os mesmos. Os resultados também.

O segundo está testando com pilotos isolados. Um departamento aqui, uma automação ali. Tem resultados pontuais, mas não consegue escalar porque falta a visão sistêmica de como redesenhar os fluxos de trabalho para que humanos e agentes operem juntos de forma consistente.

O terceiro entendeu que a transformação não é tecnológica. É organizacional. Esse grupo está redesenhando processos, treinando gestores para orquestrar equipes híbridas e construindo a infraestrutura de governança para escalar a adoção com segurança e resultado mensurável. É esse grupo que vai capturar a vantagem competitiva dos próximos três anos.

O Que Fazer a Partir de Agora

O relatório do Adecco é um mapa. Ele mostra onde a maioria das empresas está parada e aponta para onde é preciso chegar. Mas mapas não movem ninguém. Decisões movem.

Para qualquer gestor que está lendo esse texto, existem três perguntas que precisam ser respondidas antes do final deste mês. A primeira: a sua empresa tem um mapa claro de quais processos serão executados por agentes de IA, quais serão híbridos e quais permanecerão exclusivamente humanos nos próximos 12 meses?

A segunda: os gestores intermediários da sua organização foram capacitados para liderar equipes onde parte da força de trabalho é digital? Ou eles estão sendo cobrados por resultados de IA sem terem recebido as ferramentas conceituais para entregar?

A terceira: existe uma métrica clara para medir se a sua adoção de IA está gerando resultado operacional? Não apenas economia de tempo em tarefas isoladas, mas impacto mensurável nos fluxos de trabalho centrais do negócio?

Se alguma dessas perguntas ficou sem resposta rápida, você está no grupo dos 80%. E o relatório do Adecco publicado hoje deixa claro que ficar nesse grupo em 2027 não vai ser uma questão de estratégia. Vai ser uma questão de sobrevivência competitiva.

A IA chegou. O problema nunca foi a tecnologia. O problema sempre foi, e continua sendo, a capacidade de orquestrar.

Alexandre Guimarães

Especialista em Inteligência Artificial e Transformação Digital

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